Lviv: Uma pérola escondida no leste

Mas onde fica Lviv mesmo? O nome é bonito, até meio difícil de falar mas esta cidadezinha fica na parte mais ocidental da Ucrânia, bem perto da fronteira com a Polônia. Aliás, quase sempre esta bonita cidade foi parte da Polônia mas política vai, politica vem, hoje ela pertence a Ucrânia.

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 Um coquetel de culturas

Lviv é na realidade fruto de uma mistura mais complexa. Não é só uma cidade polonesa na Ucrânia, ela foi fundada em 1295 pelo rei Daniel da Galícia e no século seguinte tomada pelos poloneses. Durante centenas de anos ali viveram em relativa harmonia judeus, poloneses, germânicos, ucranianos e outros povos minoritários. Na segunda metade do século XVIII o Império Austro-Húngaro conquistou a cidade e com ela ficou até ao final da Primeira Guerra Mundial. Com a derrota, o império colapsou e seus territórios foram divididos. Lviv foi devolvida à Polônia. Após a Segunda Guerra Mundial a cidade passou a pertencer à União Soviética e com a independência da Ucrânia em 1991, Lviv ficou nas mãos que hoje a abraçam. Como resultado de toda esta mistura, existe um ambiente extraordinário nesta bonita cidade, com uma arquitetura deslumbrante, muitas atrações, muita coisa para ser vista.

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O doce charme da decadência

Uma coisa que poderá ocorrer ao visitante é que Lviv dá a impressão de que parou no tempo. Os edíficios são antigos e um tanto decadentes, nada de sério, mas mesmo assim sente-se que envelheceram. Pode ser uma pintura descascada, uma moldura de janela que está soltando. Mas é na verdade isso que dá o charme único ao local, que a torna um museu a céu aberto em vias de extinção, um quadro do que era a vida na extinta União Soviética. Um gato observa-nos do parapeito da varanda. Um Lada (quem lembra?) surge, como que vindo de um túnel do tempo.

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Gosto de pensar que todas as grandes cidades da Europa Central, que antes eram parte de países comunistas e que se desenvolveram com o apoio do Ocidente, eram assim. Imagino uma Praga em 1989, sem as multidões de turistas, sem as infinitas lojas de souvenirs, sem o mundo de faz-de-conta que se criou por ali. E quando imagino tudo isto é em Lviv que penso. Ainda sem turismo de massas, ainda genuína, real, natural.


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O que ver em Lviv?

Apesar do turismo internacional ser reduzido a cidade não é hostil. Bem pelo contrário, as pessoas são simpáticas, sorriem, sentem-se felizes por ver um estrangeiro por ali. E o munícipio tem desenvolvido um trabalho notável, colocando explicações históricas nos pontos mais significativos, publicando guias e mapas, disponíveis gratuitamente para o turista.

O Rynok será o ponto principal da cidade, a sua praça central, o local para onde tudo converge. Logo ali ao lado encontra-se a catedral. É uma cidade histórica e isso é evidente. Um pouco afastado do centro encontra-se o cemitério Lychakivsky Tsvyntar. Trata-se de um espaço extremamente belo, que nada de macabro tem e que poderá oferecer muitas fotografias. Turistas pagam pela entrada.

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Do cemitério pode-se caminhar (cerca de meia-hora) até ao museu etnográfico ao ar livre, um espaço aberto onde se encontram recriações de casas e oficinas tradicionais da Ucrânia e é onde se concentra muita animação, sobretudo durante os fins de semana. Existem também belos palácios, teatros, casas de ópera e surpresas à sua espera, ao virar cada esquina. Pode ser aquele pátio privado ou uma feira de rua com antiguidades de outros tempos.

Lviv é uma cidade para quem gosta de explorar, de descobrir a pé as ruas que não vêm em roteiros turísticos.

 

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Como Chegar

Existem boas ligações ferroviárias para chegar a Lviv. Complicado mesmo é se estiver na Polônia mas os esforços valerão a pena. Uma opção é tomar o trem noturno que parte de Cracóvia e vai direto para Lviv. Também é possivel ir até Przemyśl, uma simpática e interessante cidadezinha de fronteira ainda na Polônia, de lá pegar um ônibus para a fronteira, atravessar a pé, e já do lado ucraniano encontrar o ônibus local para Lviv. Mas o melhor é mesmo ir de trem, as fronteiras entre esses países estão um tanto “tensas”.

Quanto a hospedagem, poderá procurar as melhores soluções de alojamento na Rumbo. Apesar do número de pessoas que falam o inglês ainda ser ainda limitado, não deverá ser problema na hora de lidar com funcionários de hotel e de restaurantes mais centrais.

Post escrito em colaboração com Ricardo Ribeiro, Rumbo.pt.

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