Perrengues de viagem

Quem nunca? Quem nunca passou por um perrengue daqueles durante uma viagem e achou que nada mais daria certo? Quem nunca ficou à beira do desespero com mala que não chega, com dor de barriga porque comeu algo que não devia, com uma baita dúvida porque pegou o trem errado e não sabe para onde está indo? Enfim, viajar é também passar por momentos de aperto mas encarar tudo de forma tranquila e saber que no final tudo dá certo, faz parte.
Vou listar agora alguns dos perrengues que passei e como contornei a situação. #Ficaadica!!

1. Comer algo e descobrir que tem alergia. Barcelona.
Lindo dia de sol em Barcelona, fui reencontrar uma amiga de muitos anos que mora lá e escolhemos comer um arroz nigro, prato típico mediterrâneo feito com a tinta da lula. Delicioso, bem feito, tempero ok, tudo lindo. Terminamos o almoço e seguimos para o museu marítimo para uma visita. Chegando lá, meu marido olha pra mim e diz: “Ju, tá tudo bem? Você não está sentindo nada, não?”. Isso olhando como se estivesse examinando o meu rosto. Eu disse que estava tudo bem e ele insistiu para dar uma passada no banheiro e olhar o meu rosto. Fui pro banheiro. Quando me vi no espelho, quase tive um treco, metade do meu rosto estava inchado como se eu tivesse tomado um soco no olho. Desesperei. Pensei que pudesse ser uma reação ao arroz nigro do almoço e foi. Aí já viu, comecei a sentir falta de ar, tontura, enfim… Por sorte, fomos a uma farmácia e o farmacêutico quando me viu, falou na hora que era reação a tinta da lula. Compramos um antialérgico que eu já conhecia aqui do Brasil, tomei e fomos para o hotel. Caso não melhorasse, acionaríamos o seguro. Dormi a tarde toda por conta do efeito do remédio e quando acordei, o inchaço tinha desaparecido. Ufa!! Mas que foi preocupante, isso foi. Nota mental: nunca mais comer nada feito com tinta da lula.

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2. Comer algo que te dá uma tremenda dor de barriga. Budapeste.
Pois é, eu já devia ter entendido que não sou uma pessoa apta a sair provando toda comida típica que vende por aí. Na Hungria, existe um tempero muito comum chamado páprica. Ele parece com a nossa pimenta. Temperam quase todos os pratos com essa tal de páprica. Depois de uma manhã no museu histórico  Nacional da Hungria, paramos e um restaurante bem simples para o almoço. Pedi um frango com fritas e salada. Quando o prato chegou à mesa, era pura páprica. Comi o que deu, a base de vários goles de coca-cola para amenizar a ardência na boca. No final da tarde, não deu outra, uma dor de barriga que se estendeu por dois dias… Devo ter emagrecido alguns quilinhos… Nota mental: nunca mais comer nada com páprica e sempre levar na viagem remédio para dor de barriga.

3. Malas que se perdem e só chegam ao destino dois dias depois. Lisboa.                                                               Estávamos indo de Paris para Lisboa. Despachamos as malas e embarcamos. Quando chegamos em Lisboa, fomos para a esteira das malas e aí começou aquela angústia… Parece que a mala de todo mundo chega, menos a sua! De fato, a minha chegou. A do meu marido, não. A companhia aérea disse que a mala estava no aeroporto de Paris e por algum motivo, não embarcou no nosso voo. Fomos para o hotel e no dia seguinte, retomamos contato com a  companhia e recebemos a informação de que não sabiam onde estava a mala… Sempre misturamos algumas mudas de roupa nas nossas malas  para caso aconteça esse tipo de problema.  Só na véspera de voltar pra casa, de madrugada, a mala foi entregue, toda destruída, no hotel.

4. Dinheiro acaba e nenhum caixa eletrônico aceita seu cartão de crédito. El Calafate.
Tínhamos três dias em el Calafate, seriam quatro, se a companhia aérea não tivesse atrasado em oito horas o nosso voo, se não tivéssemos perdido a conexão em Buenos Aires, enfim… Como era pouco tempo, levei poucos dólares e usaria basicamente o cartão de crédito para sacar dinheiro. Os dólares acabaram e precisamos ir ao caixa eletrônico para retirar Pesos. Nenhum, absolutamente nenhum caixa eletrônico da cidade aceitou o cartão. Ah sim, ele estava habilitado para uso no exterior. Tivemos que recorrer ao Western Union, que libera dinheiro nos postos dos Correios. Isso depois de várias ligações internacionais para conseguir a liberação. Nota mental: em lugares muito pequenos, nunca fique sem dinheiro em espécie.

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5. Malas (novamente) que não chegam ao seu destino junto com você. El calafate
Contei no tópico anterior que perdemos um dia de estadia na Patagônia argentina por conta da companhia aérea que atrasou em oito horas nosso voo para Buenos Aires. Com isso, perdemos a conexão para El Calafate também. Fomos alocados em um outro voo, com conexão em Bariloche, el Calafate e destino final, Ushuaia. Ficamos em el Calafate mas as malas foram descarregadas em Bariloche. Na mala de mão, haviam luvas, gorros e cachecóis para não passarmos frio na chegada. Ainda bem, porque as malas só chegaram no dia seguinte à noite.

6. Motorista do ônibus da excursão se perde na cidade e vai parar em algum lugar muito suspeito. Paris.
Essa foi hilária! Estou rindo agora mas na época rolou um medinho básico… Estávamos em uma excursão em Paris com um motorista espanhol. Depois de um city tour noturno, alguns viajantes ficaram no montmartre para um jantar, os outros voltariam para o hotel, era o nosso caso. Estávamos hospedados em um hotel muito distante do centro da cidade, então nos primeiros momentos não nos preocupamos com a demora da volta. Sendo que depois de um bom tempo rodando pela periferia de Paris, todo mundo dentro do ônibus começou a perceber que tinha algo errado. Eu olhava pela janela e via um bairro muito estranho, com gente mais estranha ainda olhando para o ônibus com cara de poucos amigos. Perguntamos ao motorista se aquele era mesmo o caminho e ele, muito sem graça, confessou que estava perdido… Foi tenso… mas conseguimos chegar ao hotel. No dia seguinte, no café da manhã, adivinha qual era o assunto?

7.Pegar o trem na direção errada e ir parar bem longe do destino. Amsterdã.                                                                          Tínhamos uma conexão bem larga em Amsterdã. Compramos passagens de trem para ir do aeroporto para o centro da cidade. Não sei onde erramos mas pegamos o trem com direção ao interior. Era uma paisagem linda, campos quilométricos de tulipas, uma vista incrível. Mas notamos que estava demorando muito para chegar a estação central, essa viagem era para durar cerca de trinta minutos. Já estávamos “viajando” há mais de uma hora… perguntei para o fiscal se aquele trem ia para estação central em Amsterdã e ele disse que não, que estávamos indo para o interior!! Saltamos na estação seguinte e pegamos o trem de volta…

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8. Ir para a rodoviária errada e quase perder o ônibus. Madri.
Tínhamos comprado passagens de ônibus pela internet para irmos de Madri para Granada. Só que a cidade de Madri tem, se não me engano, três rodoviárias diferentes, de onde partem ônibus para diversos locais na Espanha e fora dela. Pois bem, fomos para a rodoviária errada. Chegamos lá, procuramos a plataforma de embarque e não achamos, óbvio! Não era lá! Até entender isso, levou tempo… Não teve jeito, tivemos que pegar um táxi, pagar quase uma fortuna para chegar na rodoviária certa e correr uma maratona para não perder o busão…

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9. Programa de índio.  Out let em Paris com muita chuva.
Como a maioria, eu adoro um out let! Então, pesquisei e encontrei boas indicações de um nos arredores de Paris: La Vallée Village. Convenci o marido a ir comigo, tava me sentindo super feliz!!! No dia, caía uma tempestade daquelas, embarcamos no trem e fomos. Deu tudo certinho, chegamos no out let sem problemas. O problema era o tempo. Chovia tanto mas tanto, que a parte descoberta do out let, local onde ficam as melhores lojas estava alagada e as lojas… fechadas! Perdemos quase um dia nesse programão…

E você, me conta o que já passou de perrengue por aí…

 

2 thoughts on “Perrengues de viagem

  • 05/10 at 5:02 pm
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    Adotei os perrengues! Eles fazem parte da viagem, em catania comprei o tivket do onibus ,coloquei as malas dentro e fui pra fila para embarcar, escuto o motorista falando em italiano q o onibus estava cheio,sem mais nem
    Menos ele engata a primeira e vai embora com as minhas malas dentro, sai gtitando em todas as linguas que conhecia “minhasmalas ” ! Ate q uma italiana gritou de maneira correta e ele parou! Sem contas as inumeras caronas que tive q pegar pq me perdi! Até hj quando lembro dou risada! 🙂

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    • 09/10 at 4:54 pm
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      Depois que passa, a gente dá risada mesmo!

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