Uma outra face de Paris: Père Lachaise

Olá pípol!

A primeira coisa em que pensa quando chega a Paris? Talvez no Arco do Triunfo ou na Torre Eiffel? Os bancos do Sena? Os cafés? Mas, claro está, Paris é muito mais que esses clichés que já conhecemos bem.

Entre as muitas possibilidades que a capital francesa tem para oferecer aos seus visitantes estão os belos cemitérios, citados em vários guias de viagem, recheados com túmulos de gente famosa, quase museus de arte ao ar livre. E não pense que só os mais excêntricos curtem este tipo de passeio, esses locais são visitados por milhares de pessoas, de todos os tipos e lugares do planeta, todos os anos.

Alguns são muito conhecidos: o de Montmartre, de Montparnasse e mesmo os de Picpus e Passy. Mas nenhum ultrapassa o esplendor de Père Lachaise.

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Um Pouco de História

O nome do cemitério é inspirado no padre confessor do rei Luís XV, François de La Chaise, que viveu na casa junto à capela. A propriedade foi adquirida pelo município de Paris em 1804 e logo nesse ano o cemitério foi aberto por ordem direta do imperador Napoleão Bonaparte. Essa era uma necessidade da cidade que tanto crescia e criava a demanda para criação de espaços próprios para enterrar o seus mortos.

Uma pequena curiosidade: a primeira pessoa a ser enterrada neste cemitério, precisamente no dia 21 de Maio de 1804, foi uma menina falecida aos cinco anos de idade, Adélaïde Paillard de Villeneuve. A sua tumba não existe mais.

Ironicamente este cemitério que hoje é considerado um símbolo da história de França era muito pouco apreciado por essa altura. As pessoas o achavam demasiado afastado da cidade e pelo final do ano apenas treze tumbas haviam sido criadas. Então a administração do cemitério decidiu usar uma técnica de marketing: com grande anúncio transferiram para lá os restos mortais de Molière e de Jean de La Fontaine. A manobra deu resultados: em 1830 já havia  cerca de 33.000 covas.

 

Um Cemitério de Famosos

Muitos cemitérios  têm túmulos de pessoas que imediatamente identificamos e há algo que nos toca quando descobrimos esses famosos. Mas em Père Lachaise são dezenas. Para os especialistas em cultura e história francesa serão centenas. Para dar apenas alguns exemplos mais conhecidos: Oscar Wilde, Honoré de Balzac, Maria Callas, Chopin, Molière, Jim Morrison, Marcel Proust, Rossini, Gibert Bécaud, Jean de La Fontaine, Edith Piaf e por aí vai…

A maioria dos visitantes se concentram no mapa e procuram os nomes das pessoas famosas.  Correm o risco de entrar numa espécie de safari mórbido, colocando toda sua energia no ‘’achamento” destes túmulos e perdendo maravilhas sem fim ao longo do caminho.

O melhor será encontrar um balanço, escolher alguns túmulos que gostaria mesmo de visitar, e nos percursos entre eles abrir bem os olhos e reparar nos detalhes, sem medo de se perder e sem se preocupar com o tempo que vai correndo.

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A área é imensa. São 44 hectares e há mais de um milhão de túmulos. Óbvio que não dá pra ver tudo. Esqueça essa parte e simplesmente caminhe pelos corredores abertos do cemitério. Atente nos pequenos esquilos que brincam nas árvores. Se for a época certa, delicie-se com as cores quentes da folhagem que vai caindo, criando no solo tapetes fascinantes.

Veja como são antigos alguns dos túmulos e como alguns parecem abandonados enquanto outros, mesmo sendo da mesma idade, ainda têm flores e velas que vão sendo colocados, sabe-se lá por quem.

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Numa determinada área, existem monumentos do tempo da Segunda Guerra Mundial. Aos trabalhadores forçados que os alemães levaram da França para dar alento às fábricas nazistas e, vários, aos judeus levados para os campos da morte. Há também impressionantes memoriais aos combatentes da Primeira Guerra Mundial.

Serviço:

Como ir: Para chegar à cidade o melhor será conferir quais os voos mais económicos para Paris através do buscador Rumbo. Uma vez lá, tome o metrô. A estação mais próxima é Philippe August na linha 2 mas a estação Père Lachaise, servida pelas linhas 2 e 3, também serve, ficando a cerca de 500 metros de uma entrada secundária do cemitério. Por fim há a estação Gambetta, também na linha 3, que permite ao visitante entrar junto ao túmulo de Oscar Wilde e depois percorrer boa parte do cemitério sempre a descer.

Quando ir: Qualquer altura é boa. Na realidade, um cemitério oferece ambientes diferentes mas igualmente atrativos em todas as estações do ano. As portas estão abertas entre as oito horas da manhã e as seis da tarde.

 

Post escrito em colaboração com Ricardo Ribeiro, Rumbo.pt.

 

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