Uma tarde com Jorge Amado no museu da língua portuguesa – SP

Não tem jeito, São Paulo é o centro cultural do nosso país. Os museus e seus acervos reúnem na capital paulista o que há de melhor e mais moderno. De exposições históricas a mostras totalmente “modernosas”.

Um bom exemplo é o Museu da Língua Portuguesa. Localizado na histórica Estação da Luz, o museu aberto em 2006, trabalha com recursos de exposição dos mais modernos. A exposição permanente, por exemplo, destaca a importância da língua portuguesa para a formação da nossa cultura. Apresenta ainda as origens do nosso idioma utilizando recursos audiovisuais, mostrando a sua evolução e diversidade através dos tempos.

                

      

O espaço para exposições temporárias está com uma retrospectiva do escritor brasileiro Jorge Amado até 22 de julho. Em minhas suas curtas, porém sempre proveitosas viagens a sampa, aproveitei pra conferir.

A mostra que conta com o acervo pertencente da Fundação Casa de Jorge Amado, reúne fotos, exemplares originais, cartas, indumentária, objetos pessoais do escritor, entre outros. Uma exposição que valoriza a obra de Jorge Amado a partir da sua palavra escrita onde os personagens dão vida a riqueza cultural do nordeste.

O mundo rico em nuances e bastante característico de Jorge Amado ganha forma através das imagens e diversos objetos que compõem a cenografia da exposição. Desde objetos descritos em seus livros e utilizados pelos mais de 5 mil personagens até fotos da sua vida particular; com a família,  autoridades, recebendo prêmios mundo afora ou simplesmente sentado em frente a sua inseparável máquina de escrever sendo nada discretamente observado por uma das netas.

A iluminação de cores quentes e os telas que repassam cenas de especiais e séries adaptados para a tv, fecham uma exposição que além de mostrar um Jorge Amado desconhecido por muitos e relembrar suas obras já lidas e adaptadas para tantos idiomas, ressalta a importância da palavra pra descrever um Brasil que extrapola os livros.

Para mim, que venho da mistura do jeito desleixado do carioca com a alma arretada do nordestino, essa exposição foi muito mais do que uma simples retrospectiva da obra de Jorge Amado. Foi uma tarde de boas lembranças. Lembrar que um dos primeiros livros lidos foi o Capitães da Areia, lembrar da novela das oito, Tieta, lembrar das comidas de “santo”, o cuscuz, o bijú, a farinha seca… foi lembrar das tardes de vento forte à beira-mar. Jorge Amado mais uma vez me fez viajar pelo seu universo tão próximo e tão distante ao mesmo tempo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

%d bloggers like this: