Viajar por conta própria ou por pacote?

Acho que muitas pessoas devem se perguntar se é melhor viajar com pacote ou por conta própria. Há quem prefira com convicção viajar de forma independente, planejando cada detalhe e há os que preferem os pacotes fechados porque a cota de preocupação é praticamente zero. Bom, eu já vivi as duas experiências e posso dizer que consegui viajar com pacote e fazer um roteiro semi-independente bem como já viajei sozinha comprado passeios fechados no local de destino. As duas maneiras foram muito proveitosas com pontos positivos, negativos e igualmente felizes.

até um simples gato gosta de uns dias de descanso...
até um simples gato gosta de uns dias de descanso…

O bacana de fazer viagens independentes é que o roteiro é seu, a escolha do hotel também, a distribuição de dias em cada lugar, os passeios preferidos, o itinerário, enfim, tudo vai depender das suas preferências pessoais e disponibilidade. Financeiramente falando, pode sair mais caro ou mais barato do que um pacote fechado, isso vai depender do roteiro escolhido e principalmente das acomodações.

A primeira vez que viajei para Europa, fui de forma independente, passei uma semana em Paris escolhendo os lugares para passear e comer. A grande burrada foi ter me empolgado na agência onde comprei as passagens (naquela época não existia venda) ao ver o caderninho de passeios pela cidade. Comprei alguns city tours achando que eram todos completamente diferentes um do outro… Tá bom, de diferente mesmo só tinham o nome: Paris Histórica, Paris Romântica, Paris para turista de primeira viagem e por aí foi.

O drama começou com a distância entre o hotel e a agência que faria os passeios. Um em cada ponto da cidade. Eu levava quase uma hora dentro metrô, fazendo várias baldeações para chegar no endereço da agência. Ok. Sendo a primeira vez, eu estava achando o máximo andar de metrô, vendo a Paris dos parisienses. Chegando à agência, descobrimos (ah! Não falei antes, mas minha mãe, uma senhora sessentona estava comigo) que o passeio sairia com cerca de uma hora de atraso porque o trânsito estava muito ruim. Fazer city tour com trânsito ruim não parecia muito interessante… mais uma lição na Paris dos parisienses.

Iniciado o passeio, os guias distribuíam audio guides em português lusitano que dada a velocidade e sotaque do narrador, a todo momento tinha a sensação de que uma imagem vale mais do que mil palavras em português de Portugal… O passeio de cerca de duas horas dentro de um ônibus panorâmico seguia super bem quando ao parar em frente a torre Eiffel, o guia desceu com todo mundo do ônibus, distribuiu uns ingressos e disse que aqueles papeizinhos nos davam direito a subir a torre e depois fazer um passeio pelo rio Sena. E fim. O cidadão nos deixou ali. Praticamente o encontro da ONU: japoneses, espanhóis, italianos, finlandeses, nós e mais uma monte de turistas que não sei de onde eram, todos meio sem saber o que fazer.

Fomos em grupo e nos comunicando por mímicas em direção a torre para subi-la. Chegando lá, descobrimos que o ingresso dava direito só até o primeiro pavimento. Tudo bem, eu não queria morrer de hipotermia lá no topo mesmo. O problema era que mesmo com ingresso a fila estava gigantesca, tipo fila do maracanã em dia de jogo do flamengo… Roubada total… Um vento desgraçado de frio e gente, muita gente… minha digníssima mãe e eu desistimos e fomos para o segundo ingresso que tínhamos disponível: o passeio de barco pelo rio Sena. Até que foi mais tranqüilo. Um passeio que vale muito a pena e valeria mais ainda se não tivéssemos pago o valor que pagamos junto ao city tour… isso foi no primeiro dia. Depois do passeio, fizemos nosso roteiro de museus e caminhadas pelas ruas de Paris, com direito e comprar sanduíche de baguette com coca-cola quente para um almoço improvisado sentadinhas embaixo de uma árvore no jardim de tuilleries… dia lindo, cidade linda, e aquela perguntinha, por que pagamos pelo city tour mesmo se poderíamos ter feito de outro jeito? Mas a felicidade de estar em uma cidade como Paris superava qualquer coisa…

 No segundo dia também tinha um passeio intitulado pela agência como Paris Romântica ou Paris Histórica, não me lembro mais. Fomos novamente para a agência, embarcamos no ônibus, fizemos um city tour parecidíssimo com o do dia anterior e adivinha???? Chegando próximo a uma estação de barco na margem do Sena, o guia desceu do ônibus com a gente e o que ele fez???? Distribuiu ingressos para um passeio de barco e posteriormente uma visita a torre Eiffel, com direito a subir ate o primeiro pavimento. Inacreditável?! Pode me xingar, eu deixo. Fizemos o passeio de barco porque assim poderíamos saltar em outra parte da cidade em tempo quase recorde. Já que a cidade estava bastante engarrafada e o metrô não tinha o mesmo, digamos, glamour. Já estava pago, e bem pago mesmo… Ah a torre? A fila continuava insuportavelmente gigante. E o frio também. O resto do dia seguiu normal com visitas a lojinhas, galerias de arte e paradas estratégicas em cafés charmosérrimos.

Não terceiro dia também tinha mais um passeio pela agência (calma!). Dessa vez era para o Palácio de Versalhes. Chegando no escritório fomos informados de que o Palácio estava fechado por conta de uma greve dos funcionários e nos foi oferecido um outro passeio com direito a tour de barco e subida a torre Eiffel… Nem terminamos de ouvir a proposta e pedimos nosso dinheiro de volta… Então veio mais um problema, tínhamos que preencher uma ficha e esperar pelo ressarcimento através do cartão de crédito, o que demoraria alguns dias… Dinheiro quase perdido já que não daria tempo de gasta-lo com outra atividade em Paris.

O que ficou de bom com tudo isso? Mesmo viajando por conta própria sem pacote, avalie bem os passeios que podem ser comprados aqui no Brasil antes de fechar com algum. Eu comprei três, com nomes diferentes, roteiros aparentemente diferentes e no final das contas, todos ofereciam praticamente a mesma coisa: passeio de barco, subida a torre Eiffel e horas dentro de um ônibus turístico no meio do engarrafamento no centro da cidade. Se quiser mesmo fazer um passeio deste tipo, recomendo esperar chegar à cidade e pedir sugestões no local onde ficará hospedado. Acredite, vai ser bem mais proveitoso.

Se for viajar com pacote fechado, aproveite os dias ou períodos do dia livres que sempre existem para fazer passeios por lugares e locais onde o city tour não vai. Procure sempre se informar do lugar para onde você vai viajar e aventure-se em fazer passeios independentes daqueles sugeridos ou incluídos no pacote, nem que seja uma breve volta pelo centro, visita a algum monumento local ou museu. Nesses momentos sempre descobrimos algo que não seria percebido se estivesse tudo já cronometrado e planejado por outra pessoa.

Boa viagem.

2 thoughts on “Viajar por conta própria ou por pacote?

  • 01/04 at 2:45 pm
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    Estou aqui conhecendo seu blog!
    Legal este post, para alertar aos mais desavisados sobre estes city-tours! (que algumas vezes são meio “pega-turistas” e excessivamente caros).

    Ainda mais se tratando de Paris, minha opinião é: ir caminhando e descobrindo por conta própria, sempre! (afinal, entre uma atração e outra tem tanta coisa bonita para ver…)
    😉

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    • 01/04 at 3:19 pm
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      Pois é, esses passeios eu comprei na emoção ainda na agencia aqui no Brasil e foi roubada total…

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